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Natiruts (Europe)
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Reggae

O Natiruts "está de volta!" Este é o recado em "Raçaman", sucesso que faz parte do novo disco homônimo da banda. Sendo um dos mais populares nomes da música brasileira, o Natiruts acaba tendo a responsabilidade de inovar sempre, e vem sendo assim durante anos. Desde suas primeiras aparições, o reggae, visto como um movimento não só musical, mas também sócio-cultural, começou a ser enxergado e considerado pela grande mídia, o que só aumentou a responsabilidade citada.

Mas para o Natiruts, INOVAR é algo natural. Bom exemplo disso foi quando eles passaram a abrir seus shows com o que havia de mais ácido na vertente "obscura" do reggae: o DUB, e seus famosos Soundsystems. Saía então o NATIDUB, um formato que trouxe o público, de uma maneira geral, para perto desta cultura underground jamaicana, e, claro, de dois de seus maiores representantes, Mad Professor e U-roy, ambos já trazidos ao Brasil pela Zeroneutro, empresa responsável pela gestão empresarial do "Natiruts".

Mais tarde, veio a mania nacional... O "Reggae Power!" Não tinha como escapar. De 10 em 10 minutos, dava Natiruts nas rádios, independente dos gêneros destas! Numa maratona incessante de shows, o reggae de Brasília chegava a ouvidos nunca antes explorados e os fãs não paravam de crescer. Shows lotados, DVD de ouro, enfim, a "cereja do bolo" para um trabalho feito com todo carinho e atenção. Depois de várias metas alcançadas, chegou à hora de se recolher para um novo trabalho... E este chega em forma de single, no qual fica claro: Viemos para "incomodar".

ALBÚM RAÇAMAN

"A Nova música do Natiruts", anunciavam os locutores das principais rádios brasileiras. Enquanto os primeiros segundos de "Raçaman" foram executados, era impossível não notar a força do instrumental e a imponência da mensagem. Sem perder a identidade em nenhum momento, o Natiruts trouxe uma sonoridade mais moderna e um conceito artístico tão contundente, que faz com que o trabalho transcenda as barreiras, muitas vezes preconceituosas, do reggae nacional. Alexandre Carlo é o produtor artístico, compositor de todas as canções do disco e um dos principais responsáveis por todo o perfeccionismo que dita à cena brasileira o nível que o reggae MERECE estar perante a mídia.

O que é desculpa para um, é motivo de luta para outro. O Natiruts reescreveu parte da história do reggae de forma independente, ou seja, sem nenhuma gravadora. Mesmo assim, o trabalho foi com força para todos os cantos do Brasil e para muitas partes do mundo!

Grande parte dos recursos adquiridos em shows, venda de discos e DVDs é claramente visto como subsídio para os ousados próximos passos. O disco "Raçaman" tem uma ficha técnica de se admirar. As bases foram gravadas nos antigos estúdios da Transamérica, onde Djavan, Legião Urbana e até Raul Seixas já gravaram. As vozes foram captadas em São Paulo, Brasília e, em maior parte, no Rio de Janeiro, no conceituado estúdio AR.

Na mixagem, podemos perceber incisivamente a preocupação de se fazer uma obra diferenciada. O Natiruts foi para Londres, mais precisamente para os estúdios Ariwa, do lendário Mad Professor. Lá, praticamente 90% do disco tiveram um toque todo especial de "Mad", o que poderá ser notado claramente pelos mais exigentes amantes do verdadeiro reggae roots tradicional. Para a masterização, o Natiruts volta ao Brasil, para as mãos de outro ícone do setor, Carlinhos Freitas.

AS MÚSICAS

O disco começa com a própria "Raçaman", em uma mistura das genialidades de Alexandre Carlo e de Mad Professor. A mensagem crua e sonora de Alexandre, passando entre os efeitos típicos do Dub, é o tempero deste som. Caixa e baixo marcando forte em prol de um ritmo contagiante e imponente. Em "Glamour Tropical" o clima de MPB é altamente evidenciado em uma construção musical que beira bossa-nova, porém o baixo e os leves "reverbs" dão o toque reggae à composição. Em "Groove Bom", uma deliciosa introdução de guitarra "funkeada" somada a uma letra de positividade plena, é claro ingrediente para mais um sucesso da banda.

Do dançante, agora caímos num reggae arrastado, gostoso, aqueles que fazem a galera viajar. É a música "Fogueira de Desilusões", e novamente uma bela composição de Alexandre Carlo envolta a backings sem exageros e um baixo aveludado superbem escalado. Sucesso certo. Agora é a vez de "No Mar". Mais um som cheio de groove e a nítida ligação de Alexandre com a MPB. Na seqüência, "Vento, Sol, Coração". A introdução é "dramática" e tocada em piano. De repente, um instrumental reggae pesado, recheado de notas menores, invade a canção. A linha harmônica é bem complexa, visto ao conhecimento que temos na cena reggae nacional.

Agora uma participação ilustre em "Sorri, Sou Rei". A diva do axé, Claudia Leitte, fã declarada do Natiruts, solta a voz com Alexandre Carlo em mais uma composição de forte raiz MPB e elementos de reggae bem encaixados. Em "1996", o reggae "abrasileirado", típico da banda, se faz presente. Não tem como ficar parado. Uma sonoridade quente, com guitarras seguindo uma linha harmônica de arrepiar. Falando em sonoridade quente, que tal um ska? O antigo ritmo jamaicano chega forte em "Arco-íris e Planetas", que traz também uma linha de trombone bem escrita, somada à alegria peculiar do ska. Sem deixar o ritmo, e muito menos os metais, de lado, chega a faixa "um Céu, um Sol e um Mar". Destaque para o baixo e um belíssimo solo de sax.

Em "Reggae Music", a identidade consagrada do Natiruts é explícita. Baixos fortes, o famoso ritmo dançante e, claro, as letras que grudam na cabeça de qualquer ser mais desatento. Para fechar o disco, um som relax. "Dentro da Música" traz uma mensagem mega-positiva e uma base de leve percussão. No geral, o disco "Raçaman" traz uma característica que, ano a ano, mais se evidencia no Natiruts: a VERSATILIDADE. Um disco excelente para quem, além de reggae, gosta de música de qualidade. Aos mais entendidos, uma produção irretocável.

OS SHOWS DO TOUR

Quem conhece o Natiruts, sabe. Quando um novo trabalho entra em cena, não é só nas músicas que sentimos a diferença. A parte visual dos shows também leva um toque todo especial e condizente com a proposta atual. Em "Raçaman", a banda promete surpreender com um resgate à cultura brasileira. Começando pela belíssima capa do disco, que conta com um conceito astral/espacial cheio de energia, nebulosas, planetas e estrelas, até o palco das apresentações, que traz a obra do artista plástico pernambucano, Leopoldo Nóbrega. A ordem agora é praticamente ignorar aqueles telões de led, lasers, enfim, toda aquela parafernália tecnológica, em prol de uma atmosfera artística de cores e pigmentos.

Serão chapas de madeira pintadas à mão e supervalorizadas com uma iluminação jamais vista em shows de reggae. "Luzes climáticas", típicas de teatro, ambientarão o público em uma experiência única de imersão musical, dando um toque cênico a cada canção executada. Quem for conferir o resultado, verá claramente o cuidado que o Natiruts, e sua empenhada produção, têm em trazer sempre uma novidade que surpreenda, não necessariamente se baseando em tecnologia gratuita e sem significado, mas, sim, em obras feitas com o coração, cheio de valor sentimental e cultura.

Natiruts é:

Alexandre Carlo - Voz e Guitarra

Juninho - Bateria

Luis Mauricio - Baixo e Vocal

 

Destaques:

Tour Europeia 2009

 

Espectáculos:

Sudoeste 2008

Rototom 2009

Delta Tejo 2009/2010